25 fevereiro 2008

POBREZA NACIONAL

O PUBLICO e o DN destacam nas suas edições de hoje as crianças em risco de pobreza em Portugal. Na União Europeia (a 25, isto é, sem a Roménia e a Bulgária), pior que nós só a Polónia. O relatório e os dois jornais realçam o crescente desemprego e o baixo nível de escolaridade como as principais justificações para o nosso fraco desempenho a nível da erradicação da pobreza.
O PUBLICO diz-nos: "68 por cento das crianças portuguesas vivem com pais com o ensino secundário incompleto. quanto menor a escolaridade dos pais, maior o risco de pobreza das crianças. É, talvez, um dos dados mais chocantes presentes no relatório europeu: em Portugal, 68 por cento (contra 16 de média eu-ropeia) das crianças vivem com pais que não concluíram os estudos secundários. Oitenta e oito por cento das crianças portuguesas em risco de pobreza vivem em agregados com estas baixas qualificações. É o patamar mais elevado de desqualificação na UE"
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O DN afirma: "A percentagem de jovens até os 24 anos com baixa educação secundária era de 39% em 2006 (ano lectivo de 2004-2005), a segunda pior de toda a União Europeia, a seguir a Malta. A taxa de abandono escolar baixou entretanto para valores da ordem dos 35%, mas, ainda assim, Portugal continua, neste campo, na cauda da União Europeia."
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Estes são, sem dúvida, indicadores que nos envergonham e que demonstram o muito que há ainda por fazer, o muito que há para progredir. O pior de tudo é que existem camadas da nossa população numa armadilha de pobreza de difícil resolução, tanto no interior do país, como nalgumas zonas urbanas. O nosso desempenho educativo ainda é extremamente sofrível (mesmo em relação às camadas mais jovens), e o abandono escolar ainda é demasiado elevado. Estes dois factores perpetuam o ciclo de pobreza entre as diversas gerações.
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Urge, obviamente, acabar com este tipo de situações. Como? É patente que os grandes programas de diminuição da pobreza, são sexys, bonitos, e dão uns bonitos títulos de jornal. Até podem ajudar a ganhar eleições. Mas, não bastam. Mais do que grandes projectos de combate à pobreza e exclusão social, com rendimentos garantidos e com grandes ideais sem grande relevância prática, precisamos de introduzir um conjunto de medidas que penalizem ainda mais o abandono escolar e que forneçam os incentivos necessários para que a pobreza e a falta de qualificações não se perpetuem geração atrás de geração atrás de geração.

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